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Quarta, 25 de setembro de 2002, 15h39 Atualizada às 19h17

Prédio de seis andares desaba no centro do Rio

Um prédio de seis andares, onde funcionavam um restaurante, um chaveiro e um hotel, desabou por volta das 15h20 de hoje na Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio de Janeiro. Os bombeiros confirmaram que há pessoas soterradas no local. Ambulâncias, uma escavadeira, 30 bombeiros, a Defesa Civil e a Polícia Militar, em um total de 150 pessoas, estão trabalhando no resgate.

Três pessoas estão sendo atendidas no hospital Souza Aguiar. Todas eram pedestres que passavam no local, na hora do desabamento. Um homem de 60 anos foi pisoteado com o tumulto, um outro de 42, além da uma jovem de 18 anos que teve uma crise nervosa. A Globonews informou que apenas as pessoas que estavam no restaurante conseguiram sair do prédio antes que ele desabasse, mas os funcionários do hotel teriam ficado dentro do edifício.

O coronel Jorge Lopes, relações públicas do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, disse que muitas pessoas podem ter escapado antes do desabamento do edifício na esquina das ruas do Rosário e 1° de Março. Isso porque houve um estalo aproximadamente dez minutos antes da queda.

A região tem vários prédios antigos, e todos os edifícios do quarteirão foram evacuados. Sete deles estão interditados. Técnicos das companhias de Luz e Gás estão acompanhando o resgate para evitar que haja explosões.

Os bombeiros utilizam cães farejadores e equipamentos sensíveis para a captação de sons, que podem identificar vida. A área foi iluminada, e os trabalhos devem seguir durante a madrugada.

O vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Jacques Cheric, acredita que uma falha na estrutura do restaurante, que estava em obras, pode ter comprometido o prédio e ocasionado o desabamento, além do agravante da chuva que cai há mais de dois dias no Rio. Cheric afirmou que não havia autorização para a obra. Além disso o copeiro Leandro da Silva, de um restaurante que fica ao lado do prédio, disse que, após o início da obra, há um mês, começaram a aparecer rachaduras nas paredes do edifício.

O prefeito César Maia esteve no local. Ele informou que dois grupos ligados à Prefeitura estão trabalhando para avaliar as condições da construção. "O primeiro grupo está colhendo depoimentos das pessoas que trabalhavam no hotel para descobrir que tipo de obras estavam sendo feitas e o segundo está fazendo um laudo técnico para apurar as responsabilidades", explicou o prefeito, acrescentando que 70 edifícios do Centro da cidade foram notificados há cerca de 120 dias por obras irregulares nas fachadas, incluindo o que desabou.

Há informações de que os operários da obra no restaurante localizado no prédio teriam mexido no girau do mezanino do primeiro andar, o que pode ter comprometido a estrutura da construção.

O trânsito no centro do Rio está muito complicado por causa do acidente. A rua Primeiro de Março foi totalmente fechada, e o Hospital Souza Aguiar está de prontidão para receber as vítimas. "O prédio começou a balançar e muitas pessoas começaram a sair de dentro dele, mas ficaram na frente", disse Marco Antônio Marra, um pedestre que presenciou o desabamento.

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