Artrópodes do Cambriano tinham comportamento coletivo

Em Ciências da Vida @ 10.Oct.2008. por Carlos Hotta.

Parece um camarão...

Parece um camarão...

Saiu na Science desta semana um artigo que sugere que uma espécie de artrópode (invertebrados articulados, como insetos e crustáceos, foto acima) tinha um comportamento de viver em grupos já no Cambriano (só 525 milhões de anos atrás).

A grande pergunta é: como saber que estes organismos tinham um comportamento social analisando-se um registro fóssil[bb]? Não é como se você pegasse os pré-camarões jogando pôquer ou algo que o valha. No entanto, algumas evidência são difíceis de negar, como a foto dos demais fósseis encontrados:

Trenzinho de artrópodes

Trenzinho de artrópodes

A primeira foto deste texto mostra o único espécime encontrado sozinho. Os demais 22 registros fósseis chineses mostram os camarões Neanderthais formando trenzinhos de 2 a 20 indivíduos! Trenzinhos!

Este comportamento lembra algumas taturanas que seguem ficam uma seguindo o rastro da outra. Os cientistas responsáveis pela descrição do material até especulam que um indivíduo se agarrava no corpo do outro, assim como observado na figura abaixo:

Um artrópode atrás do outro

Um artrópode atrás do outro

Uma possibilidade é a de que estes organismos moravam em túneis compartilhados, no entanto, o material geológico ao redor do fóssil não sugere a existência de túneis. Ao contrário: ele sugere que os organismos nadavam desta forma!

O engraçado é que, em um trenzinho deste, somente o primeiro indivíduo pode comer, uma vez que a boca dos demais parece ser usada para se prender no corpo do anterior. Qual seria a lógica disto? Três possibilidades existem: sexo (para variar), migração ou defesa contra predadores. O que dificulta a análise é que este comportamento nunca foi observado em um artrópode adulto moderno.

Provavelmente nunca descobriremos a razão desta conexão. Acho que isso que me fascina na Paleontologia: tentar descobrir coisas somente através de fotografias borradas que ficaram enterradas no fundo do baú.

Fonte: Science

Evidência de comportamento social em cães

Evidência de comportamento social em cães

7 Comentários

  1. Igor Zolnerkevic em 10/ Oct/ 2008

    O bonde do tataravô do camarão… Interesante que os descendentes perderam os velhos hábitos das gerações anteriores. Esses jovens individualistas!

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    Carlos Hotta Reply:

    Pode ser que não fosse uma estratégia boa e não há descendentes… um aviso pro povo do bonde do tigrão!

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  2. Igor Santos em 10/ Oct/ 2008

    Isso sim é união.
    Não só em vida e em morte, mas até durante a fossilização.

    Eu até pensei numa maneira para os seguidores da fila conseguirem se alimentar, mas vou evitar descrever por envolver escatologia.
    Podemos ter leitores sensíveis…

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    Carlos Hotta Reply:

    Que imaginação! Artrópodes coprófagos… será?

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  3. Paula em 10/ Oct/ 2008

    Coprófagos? Qual seria a vantagem de “coprofagiar” de um ser semelhante a vc? Se as necessidades nutricionais são as mesmas, coitados dos últimos da fila… não ia sobrar nada…

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    Carlos Hotta Reply:

    Isso explica porque não há artrópodes modernos fazendo o mesmo :)

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  4. Mayara em 12/ Nov/ 2008

    As vezes quem fica na frente fica mudando de lugar a todo momento, dando vez pra quem esta atras poder comer tb…

    hehehe

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