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Papo Animado

9 . 10 . 08 | Tags: , , , ,

Década de 80 e a era dos heróis (quase) politicamente corretos

Vai dizer que você não acordava de manhã para assistir esses desenhos?

Uma semana se passou e cá estou de volta, para continuar essa saga histórica dos desenhos animados, agora invadindo a década de 80, também conhecida como década perdida e auge da breguice humana.

Aliás, a década de 80 é muito reverenciada atualmente, talvez por ser a época que a maioria das pessoas de hoje (principalmente as que visitam este site) tenham passado sua infância, o que mostra o quão bregas vocês eram.

Por conta dessa época, surgiram alguns personagens que até hoje assombram nossa vida, como Xuxa, Mara Maravilha, Angélica, Bozo (in memorian), Vovó Mafalda (in memorian), Balão Mágico (in memorian), entre outras coisas.

Como o assunto não é esse vamos ao que interessa.

No início da década de 80, o povo ficou de saco cheio do estilo e dos desenhos da Hanna-Barbera, que contavam com animações repetitivas, fracas e de péssimo roteiro.

Claro que coloquei esse de propósito, só para cantar junto

Nessa época começaram a se destacar as animações dos estúdios Filmation e Rankin/Bass.
Infelizmente, os dois estúdios também abusavam da técnica da “animação limitada” (explicado aqui), mas compensavam com novas idéias e estilo de histórias, ao contrário do estúdio de Space Ghost.

Por conta do boom dos quadrinhos de heróis e necessitando estimular a boa educação, civismo, boas maneiras, amizades e noções de meio ambiente nas crianças, os dois estúdios resolveram apostar em grupos de heróis, geralmente vivendo em outras dimensões ou mundos paralelos, onde passavam por aventuras fantásticas, mostrando a amizade, companheirismo e a eterna luta do bem contra o mal.

Até que a iniciativa fazia sentido, já que a violência de vários desenhos, apesar de hilárias, infestavam as TVs das famílias tradicionais na época, como Tom & Jerry, Looney Tunes, Pica-Pau, entre outros desenhos.

Mas a apelação era tanta que, no final dos novos desenhos, era regra ter uma lição de moral para as criancinhas retardadas (no caso, vocês na época) refletirem e tratarem bem seus amiguinhos.

Thunder, thunder, Thundercats… Hôôôôôllll!!!!

Com esse grito, Lion, o líder dos Thundercats convocava os gatos-guerreiros refugiados de Thundera, numa Terra pré-histórica. Seu planeta-natal foi destruído e, teoricamente, só sobrou Panthro, Tygra, Cheetara e os irmãos, Wilykit e Wilykat, juntamente com o bicho de estimação mais mala da época, o Snarf.

Infelizmente, a Globo não passava aberturas de desenhos, aliás, até hoje

Estes eram os Thundercats, desenho produzido em 1983, passando no Brasil em 1986, estourando no mundo inteiro como sucesso de público e crítica.

Eles possuem como inimigos uma raça mutante do planeta Plun-Darr, liderados por Escamoso, Abutre, Simiano e Chacal, vieram atrás dos felinos extraterrestres para exterminá-los de uma vez por todas.

O que ninguém contava era com Mumm-Rá o Serrrrrr eterrrrno, uma múmia mística poderosa que vivia num sarcófago e que volta e meia atacava os Thurdercats, utilizando a força dos espíritos do mal se transformando no principal inimigo da série, inclusive mandando nos mutantes.

Casal de Cheetaras no Cio

Thurdercats foi um desenho do caralho produzido pela Rankin/Bass, sendo sucesso retumbante por conta das cenas de ação e dos personagens carismáticos (tirando os irmãos Wilykit e Wilykat que eram um porre, junto com Snarf), rendendo 130 episódios.

Curiosamente, na época, a Globo só passou 100 episódios, com o SBT passando os outros 30 quase 15 anos depois, em 2001, quando adquiriu os direitos de exibição da série.

Em breve, falo exclusivamente dos Thundercats, pois esse merece coluna exclusiva, o que não é o caso agora.

Esse desenho preparou a galera para a modinha de anime

Falta de criatividade

Como falta de criatividade era o que reinava na época, a Rankin/Bass tentou emplacar outra série, os Silverhawks.

Apesar da idéia de ciborgues, no lugar dos felinos, se pegando com seres alienígenas ao som de rock, ser original, o desenho ser repleto de ação, possuir uma abertura irada e ter uma boa animação os Silver Hawks não tinham um roteiro tão bom como o de seu antecessor (sendo praticamente uma cópia, mas ambientada no espaço) e por isso só rendeu uma temporada com 65 episódios, tendo relativo sucesso na terra brasilis, no programa do Sérgio Mallandro (aquele que saiu vereador) e da Mara Maravilha (aquela que virou crente).

Abertura irada, pena que o desenho não era era a mesma coisa

Mesmo levando paulada com Silverhawks, a Rankin/Bass insistiu na idéia de seres humanóides com poderes animais e lançou TigerSharks, humanos que se transformavam em seres marinhos com praticamente a mesma história dos antecessores, enfrentando vilões em um mundo parecido com a terra e com lição de moral no fim do episódio. O fracasso foi tanto, que este foi o último desenho produzido pelos estúdios.

Dá para levar isso a sério?

Como o espaço já está grande, semana que vem continuo a falar sobre as animações da década de 80.

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6 comentários

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Thundercats!!! *.*

Francesco
09/10/08 | 10:57 am | URL | #

Thundercats Thundercats Thundercats ouuuuuuu
nossa como eu amo este desenho!! ^^
Me fez lembrar dos tempos que eu chegava da escolhinha e sentava direto no sofa ligava a tv e pedia para minha baba a nice pegar o meu lanchinho! nossa bons e velhos tempos que não voltam mais!

Naga Riddle
09/10/08 | 1:20 pm | URL | #

Não lembro mais onde li isto (sinal da idade ou estaria delirando), mas soube que um nome por trás do Thundercats foi de um desenhista de quadrinhos espanhol ou filipino chamado Pepe Moreno. O mesmo que criou a primeira versão em quadrinhos por computador do Batman que saiu por aqui como “Batman Digital Justice”

* * *

Vc reclamou dos roteiros da Hanna Barbera de uma forma geral, mas tinha coisas boas no meio. Johnny Quest pode ser um exemplo.

Uma coisa que acho muito curiosa e saudável nos desenhos da Hanna Barbera é que, muitas vezes, não eram criadas “origens” para os heróis. Os Herculóides, Mighty Tor, Space Ghost, Galaxy Trio, sustentavam suas histórias pelo próprio carisma (Mérito do Alex Toth). Eu, criança, ficava bolando em minha cabeça origens para estes personagens… Coisa que os quadrinhos sempre tornaram muito difícil: o rigor da cronologia sempre encheu muito o saco.

Quanto aos desenhos humorísticos, a coisa variava muito. Alguns poucos eram genuinamente bons (tipo os Flintstones antigões); outros preferiam um tipo de humor já fora de moda, de “bordão”. Tipo o do Chaves (”Foi sem querer querendo”; Choro do Quico “Aurrrrrr”; “Gentalha-Gentalha-Gentalha”) havia o “Ó vida, ó azar” do Hardy, o “Saída pela esquerda”, do Leão da Montanha; o “Eu-te-disse-eu-te-disse”, do Carango e Motocas; o “Ó-Querida-Clementina”,etc etc etc. Serviu para gravar as piadas em nossas cabeças vazias pelo menos.

Brontops
09/10/08 | 1:23 pm | URL | #

Falando do politicamente correto, o que eu mais odiava era a moralzinha no fim do He-Man. Primeiro, que o desenho já era tão babaca que a moral era óbvia (lembro de uma única exceção); Segundo, que é que quer um herói “professor”? Os heróis são legais justamente porque (em teoria) são como nós: uns perdidos que vão aprender suas lições juntos com a gente.

Brontops
09/10/08 | 1:33 pm | URL | #

@Brontops
Se eu não me engano, em 2006 a Panini lançou no Brasil a origem de Space Ghost em uma mini-série de três partes… MUITO louco…

Black
09/10/08 | 7:21 pm | URL | #

Não sou exatamente da decada de oitenta, mas, assim como tal decada era famosa pela falta de criatividade, as emissoras tupiniquins ainda são famosas por suas infindaveis reprisis, e graças a isso pude acompnhar todas essas series…

e o pior de tudo, devido ao meu cerebro ainda estava (provavelment ainda esta) em formação eu gostava!

Tranca
03/11/08 | 9:11 pm | URL | #

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