Será que os autores norte-americanos não merecem mais o Prêmio Nobel de Literatura?

Essa é a pergunta que todos estão fazendo após a declaração de Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca, que durante vários anos participou da secretíssima comissão de 18 pessoas responsáveis pelas escolhas de quem ganharia ou não o cobiçado prêmio.

lit_engdahl_teaser Como professor de literatura escandinava e crítico literário, talvez ele tenha condições de dizer o que disse, como, por exemplo, que os escritores norte-americanos eram “muito sensíveis à evolução da sua própria massa cultural”; levando para baixo a qualidade dos escritores dos Estados Unidos. E ainda completou: “Os Estados Unidos são demasiado isolados, demasiado provincianos. Eles não traduzem o suficiente e não participam do grande diálogo internacional da Literatura”. E sendo mais duro ainda, completou: “Isso é ignorância moderada”.

Anúncio do Prêmio Nobel de Literatura
Os nomes dos laureados este ano para o Prêmio Nobel de Literatura serão anunciados durante uma conferência de imprensa na Academia Sueca em Estocolmo. O anúncio será feito na web no nobelprize.org

Segundo a tradição, a Academia Sueca irá definir a data para o seu anúncio de 2008 o Prêmio Nobel de Literatura mais tarde.

As perspectivas de Philip Roth e Joyce Carol Oates vencerem o Nobel de Literatura, agora, parecem que foram esvaziadas após essa descrição da literatura e escritores norte-americanos. A autora Toni Morrison foi a última pessoa nascida nos Estados Unidos a ganhar o Prêmio Nobel, e isso foi há quinze anos.

Afirmações duras? Concordam ou não?

Como se fosse uma espécie de embate entre países, Horace Engdahl continua atacando ao dizer que, “Não se pode negar que a Europa ainda é o centro do mundo literário… não os Estados Unidos”.

Por isso, o The Guardian, procurou saber se houve algum engano quando dessa declaração, a resposta foi taxativa: “A atribuição do prêmio não leva em consideração a nacionalidade do escritor”. Horace Engdahl, declarou: “não havia razão para nenhum autor específico para aborrecer-se pelas minhas observações”. Alguém acredita nisso? Vejam a lista dos últimos laureados e notem se não há, também, motivações políticas. Portanto, ligadas à nacionalidade de quem vence (n.t).

Abaixo está a lista de autores que tem chance de ganhar, mesmo que dentre os 200 nomes indicados, ninguém além dos jurados saberá quem é o vencedor até o dia do anúncio. A ordem obedece às probabilidades de votos computadas pela Ladbrokes, uma casa de apostas:

Claudio Magris (Itália) – Probabilidade: 3 para 1
Adonis (Síria) – Probabilidade: 4 para 1
Joyce Carol Oates (EUA) – Probabilidade: 7 para 1
Philip Roth (EUA) – Probabilidade: 7 para 1
Don DeLyllo (EUA) – Probabilidade: 10 para 1
Thomas Pynchon (EUA) – Probabilidade: 20 para 1

Os últimos escritores escolhidos tiveram uma clara influência européia ao vencerem. Portanto, a tendência é que os norte-americanos fiquem de fora mais uma vez.

Detalhe: O Nobel de Literatura não tem data fixa para ser anunciado como são os das outras categorias. Segundo a

Esse artigo foi inspirado após a leitura do artigo Nobel judge attacks ‘ignorant’ US literature, de Alison Flood, no The Guardian, em 01/10/2008.