A música é capaz de reproduzir em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria.” - Ludwig van Beethoven

Vejo que na nona sinfonia de Beethoven um “poder” de trazer sensações inefáveis de encantamento até mesmo para aquele que nunca teve oportunidade de ouvir grandes clássicos da música. Quando me perguntam qual minha música predileta eu não tenho dúvida, respondo logo: “Ode to joy da nona sinfonia de Beethoven”. - Não porque é a música que mais gosto, diante de tantos músicos e músicas é impossível dizer qual a predileta das prediletas, mas escolho a nona sinfonia pelo que ela representa: uma ousadia de Beethoven em abraçar a alegria - talvez uma das mais ousadas.

Fazia tempo que Beethoven já não compunha, passava os dias se lamentando pela surdez que parecia vencer toda sua alegria de viver, aquilo que ele mais gostava de fazer estava sendo vencido pela surdez. Ao tomar conhecimento do poema “Ode to joy” (Ode à alegria) de Schiller - que junto com Goethe representaram o período mais fértil do romancismo alemão -, Beethoven ignorou a surdez e compôs a sua 9ª sinfonia, incluindo nela uma versão de sua autoria daquilo que ficou conhecido como o “Hino à alegria”.

Abaixo um pouco da nona sinfonia; o coral representa o Hino à alegria do Beethoven, cuja letra segue abaixo, deliciem-se =)


Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!

Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Teus encantos unem novamente
O que o rigor da moda separou.
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu vôo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se connosco!
Sim, também aquele que apenas uma alma,
possa chamar de sua sobre a Terra.
Mas quem nunca o tenha podido
Livre de seu pranto esta Aliança!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos dá beijos e as vinhas
Um amigo provado até a morte;
A volúpia foi concedida ao verme
E o Querubim está diante de Deus!

Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóboda celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória.

Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos! Sobre a abóboda estrelada
Deve morar o Pai Amado.
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóboda estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.

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