
Lifestreaming.
Pare e pense na quantidade de serviços na web que você usa atualmente. Qualquer um que tenha uma relação mais antiga e/ou íntima com a web, e a vê como uma plataforma, um complemento ou até mesmo uma parte da vida real, possui cadastro em sites para armazenamento e compartilhamento de imagens; bookmarks sociais; agregadores de feeds; tem blogs e microblogs. Todos eles propiciam o UGC, ou seja, user-generated content, ou em português, conteúdo gerado pelo usuário.
Em menor ou maior intensidade, o conteúdo que você gera chama a atenção dos outros. Até pouco tempo atrás, essa via de mão dupla entre internauta gerador e internauta consumidor estava limitada aos blogs. Mas, com o aparecimento e consolidação de outras formas de UGC, as pessoas passaram a acompanhar outras coisas umas das outras, como imagens, links, comentários rápidos, vídeos.
A grande questão, em determinada altura, era: como acompanhar esse mar de novidades, de todas as pessoas que gosto/admiro? Para suprir essa lacuna, cunhou-se o termo e nasceu o conceito de lifestreaming. Agora, ao invés de acompanhar uma ferramenta, acompanha-se uma pessoa. Através de um único canal, é possível ver, ler e ouvir tudo que determinada pessoa criou, e também mostrar aos outros tudo o que criamos.
O WorldSpy define lifestreaming como:
Um registro online das atividades diárias de uma pessoa, tanto via feed direto de um vídeo [lifecasting], quanto o conteúdo online da pessoa, como posts em blogs, atualizações em redes sociais e fotos online.
A idéia é justamente esta. Existe a variação lifecasting, que é fazer um Big Brother particular, mas aí já é meio exagero, pelo menos para mim. No entanto, o lifestreaming “puro”, focado no UGC de cada um, mostra-se muito interessante.
Há quem veja essa nova tendência com ressalvas, quase como uma invasão de privacidade, no mínimo algo excessivamente intrusivo. De fato, é, mas particularmente parto da premissa de que publicou na rede, já era. A opção de não centralizar todo o conteúdo criado num único local apenas dificulta a vida daqueles que gostam de ti (ou não), e querem acompanhá-lo virtualment, afinal, um agregador do gênero não cria nada de novo, apenas concentra numa página o que antes ficava espalhado por aí.

FriendFeed.
Ainda é cedo para dizer se o lifestreaming fará o sucesso que dele se espera. Assim como outras iniciativas super promissoras, como o OpenID, apenas o tempo dirá se ele vingará ou não. Para quem já quiser se arriscar, duas ferramentas dispontam como futuras referências: FriendFeed e Pulse. Tenho notado, ultimamente, uma inclinação dos brasileiros com quem tenho contato para o Pulse. Embora tenha um perfil lá, prefiro e uso com mais assiduidade o FriendFeed, cria de ex-Googlers, e queridinho no exterior. O box na sidebar do blog entitulado “Online”, aliás, é um badge provido pelo FF, editado através de CSS. Legal, não?
Como li em algum lugar que não me lembro qual é, o futuro está no lifestreaming. Não acho que o que escrevo aqui e em outros blogs, as fotos que publico no Flickr, os comentários rápidos do Twitter, as recomendações do Google Reader, ou os links do del.icio.us, poderão, de alguma forma, me causar transtornos maiores, pessoal ou profissionalmente. Acredito, pelo contrário, que eles podem ser um diferencial numa disputa por um emprego, ou mesmo para conquistar a simpatia de desconhecidos.
Textos relacionados:
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Tags: agregador, feed, friendfeed, futuro, internet, lifecasting, lifestreaming, pulse, web
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