Ago 24 2008
Aquele Querido Mês de Agosto, entre o documentário e a ficção
Agosto é conhecido no Brasil como o mês do desgosto. Na Argentina, nossos hermanos acreditam que lavar a cabeça nesse mês é o mesmo que chamar a morte. Datas trágicas nesse mês não faltam: início da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki. Ah, não esqueçamos que hoje completam 54 anos do suicídio de Getúlio Vargas.
Aqui em Portugal também existe bastante supertição relacionada a esse mês. Há até um ditado popular que afirma que casar em Agosto traz desgosto, uma vez que era nessa época em que “navegar era preciso”. Resultado: centenas de mulheres viúvas antes mesmo da lua-de-mel. Todavia, crendices à parte, Agosto é um dos meses mais aguardados em Portugal. Férias escolares, Verão, amores arrebatadores, festas e bailes no interior e o retorno dos emigrantes.

Sônia Bandeira, que interpreta Tânia no filme
É nesse cenário idilíco, materializado em algumas cidades de Beira Serra, interior luso, que muito se assemelha ao interior do Nordeste brasileiro, que se passa a ação de Aquele Querido Mês de Agosto, segundo longa do diretor português Miguel Gomes. Originalmente pensado como uma ficção acerca do triângulo amoroso entre pai, filha e o primo desta, que formam uma banda de baile que toca pelas cidades de Beira Serra durante Agosto. Caso ficasse apenas nessa premissa amor-impossível-entre-menina-do-interior-com-menino-da-cidade o filme provavelmente não seria lá grandes coisas. Mas, devido as dificuldades orçamentárias, Gomes teve a idéia de filmar tudo aquilo que lhe parecesse digno de registro. O que vemos então na primeira metade da película é basicamente um documentário: entrevistas com os moradores para a composição do elenco, captação de som, imagens de apoio, etc. A segunda parte é a ficção propriamente dita. Escolhidos os atores e as locações, Gomes filma a estória (bobinha) para qual tinha escrito o roteiro.

Filme é pontuado por canções de pimba, estilo que mais parece uma mistura de sertanejo com forró. Esse é Manuel, o maior expoente do gênero.
Hoje passei um bom tempo tentando lembrar do último filme português que havia assistido… e cheguei a conclusão que, para além do inintelegível A Zona nunca assisti uma película do país de Manoel de Oliveira (o que é uma vergonha, bem sei). Mas, tirando pelo número de pessoas que estavam ontem na sala de cinema, a única que exibia o filme em Lisboa, fico com a sensação de que os portugueses, assim como os brasileiros, não gostam muito de filmes nacionais. Uma pena. Aquele Querido Mês de Agosto conta com estrutura narrativa sensacional e prende o espectador. O jogo ficção-documentário permeia todo o longa. Em várias ocasiões não sabemos se aquilo foi ou não encenado, se faz ou não parte da “ficção”: como no momento em que o pai da cantora oferece um jantar; ou na cena em que dois moradores da região conversam sobre suas impressões da experiência de serem atores amadores (essa, sem dúvida, é uma das mais belas cenas do filme). Sem contar as intervenções da equipe de filmagem (sim, ela também aparece), que soam terrivelmente (e hilariamente) ensaiadas.

Jean-Luc Godard em uma rara foto
Godard, em mais uma de suas centenas de frases de efeito, disse certa vez que “Todo grande filme de ficção tende ao documentário e todo grande documentário tende à ficção e, quem optar por um, encontrará necessariamente o outro no fim do caminho”. Sem definir-se entre ficção e documentário e com um humor peculiar, Aquele Querido Mês de Agosto, mesmo sem ser todo ele brilhante, encaixa-se perfeitamente nesse aforismo.
Trailer do filme






Achei tão belo o post que me deu vontade de ver o filme! Ah, e mudei de e-mail
Quando será que passa por aqui … eu sou fã do mês de agosto!!!
Infelizmente acho difícil que passe no Brasil. Talvez saia direto em DVD, se sair…
estava a buscar informações sobre esse filme no google. O terceiro link é o seu blog meu caro!
No Domingo vou ao cinema ver este filme u que me esta a entusiasmar nestas ferias!
Um dia tive u sonho de ser cineasta sao voces ao apoiarem u que e nacional e bom : ) que tenho foeça para tentar realiza lo .
Abraço
Só uma pequena correcção: esse cantor chama-se Emanuel.