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CHÁVEZ, ELEIÇÕES, DITADORES E DELATORES.

Topic: Internacionais, Personalidades, Sociedade|


Hugo Chávez e a Política do Martelo


Todo regime totalitário procura se manter no poder semeando a discórdia a desconfiança e o medo. Primeiramente eles fazem isso em seu próprio território, aterrorizando seu povo e fazendo com que o clima de desconfiança chegue a tal ponto que os filhos acabam entregando os pais se acharem que estes últimos “tramam contra o regime”.

Sempre que opino aqui sobre as peripécias apocalípticas de Hugo Chávez, há sempre quem o defenda dizendo que ele é o “Último Grande Herói Sul Americano” e o único capaz de deter a “sanha imperialista dos EUA”. Argumentam que chamar Chávez de ditador é um absurdo. Pois o mesmo foi eleito e é apoiado pela Assembléia Legislativa de seu país.

Pois é; me acusam de simplista e de superficial nessas análises. Mas, na verdade, quem pensa assim é que é verdadeiramente o simplista e o superficial. A história da humanidade está recheada de ditadores que cometeram as maiores atrocidades contra seu povo e contra outras culturas humanas; cujos governos desastrosos foram sempre iniciados com o total apoio popular e um pesado respaldo político das lideranças de seus países.

Nem é preciso mergulhar-se nos âmagos sombrios da história antiga para ver isso. Basta recuar muito pouco no passado. Adolf Hitler, Mussolini, Stálin e Pol Pot. Mesmo esses três últimos não tendo sido eleitos pelo povo; foram eleitos segundo as normas políticas vigentes em seus países e com grande apoio popular. Todos eram amados e idolatrados por seus povos e tidos como “libertadores” até que finalmente mostraram suas verdadeiras faces.

Tal como eles, Chávez, vai pouco a pouco pisando nas instituições democráticas venezuelanas e abatendo um a um os inimigos que poderiam deter suas investidas totalitárias e populistas sobre seu povo e a América do Sul; seu objetivo de controle final. Em sua megalomania exacerbada, ele se vê como um libertador; uma reencarnação divina do espírito de Simão Bolívar; e que, por isso mesmo pode tudo.

Assim como seus colegas do passado; Chávez fez sua assembléia de fantoches aprovar uma lei que só teve paralelo nesses regimes totalitários e que acabaram sendo responsáveis pelas maiores desgraças que a humanidade já viu. O caso é tão grave que uma juíza da Suprema Corte venezuelana rompeu o silêncio e declarou: “Estamos diante de medidas que são uma ameaça a todos nós”. A lei a que ela se refere, na verdade um decreto presidencial baseado em seus superpoderes, declara que será passível de pesadas punições todo e qualquer cidadão venezuelano que se recusar a cooperar com os serviços de informação da Venezuela. Assim, ao ser interrogado, o cidadão que for julgado “não colaborador” poderá ser legalmente punido por isso. E a tal “lei do alcagüete” vai mais longe; “exigindo explicitamente que os juízes e procuradores se submetam e cooperem com os serviços de inteligência ao invés de fiscalizá-los como reza a constituição venezuelana” - Afirma ainda a juíza.

Assim sendo, os defensores de Hugo Chávez deveriam antes se perguntar por qual motivo um libertador e um herói bem intencionado tem tanto medo das instituições democráticas e exige que seu povo se transforme em delator e seus juízes em fantoches sem autonomia? Nem é preciso lembrar que na Alemanha Nazista e nos outros países natais dos ditadores mencionados; o judiciário era apenas um mero executor da vontade do “Ser Supremo” que os governava. E que as denúncias fantasmas, feitas puramente por medo ou por motivos nada cívicos e heróicos, causaram a morte de milhões.

Pense nisso.



 

 


12 Responses to “CHÁVEZ, ELEIÇÕES, DITADORES E DELATORES.”

  1. Gustavo Fadiga Says:
    Bom, no meu ponto de vista, regimes como esses surgem quando o povo está “desesperado” a procura de alternativas para o atual momento em que vivem e acabam colocando no poder o “Herói” que promete mudanças, que promete lutar pelo povo, bla bla bla…e quando finalmente consegue o poder, é comrrompido pelo mesmo e nunca mais quer largá-lo, custe o que custar, e o povo que antes era o motivo de sua luta, já não é mais tão importante…

    Ah, e dá-lhe aviões!! O povo morrendo e o governo comprando aviões!!

    Alguma semelhança com o que disse anteriormente, importancia do povo e importancia de aviões, mera coincidencia…

  2. Isa Says:
    Quero ver entusiastas do Chavez o defenderem vivendo sob seu regime totalitário.
  3. Cássio Augusto Says:
    Bom… a “maior democraciado mundo” tbém pisa em instituições democráticas… cria terror em seu território e no mundo… mas nem por isso seus presidentes são chamados de ditadores… pq será??? Pense nisso!!!
  4. Arthurius Maximus Says:
    Olá Cássio!

    Eu entendo e sei que sua opinião é, como sempre, coerente e verdadeira. Afinal Guantânamo esta aí para quem quiser ver. Mas esse não é o caso. Os EUA tem uma vantagem quase infinita sobre países como o nosso e a Venezuela: O povo.

    Apesar do americano médio ser, em sua maioria, altamente conservador e diria até mesmo um nazista de carteirinha; um presidente que tentasse algo assim por lá não duraria muito. Lembra-se do caso da caça aos comunistas? O nível que a coisa estava atingindo veio a tona, a opinião pública dos EUA enterrou a administração e as perseguições acabaram.

    Na Venezuela isso não acontece. Chávez está, passo a passo, adotando práticas consagradas em regimes de triste memória. Como Hitler e outros, ele iniciou elegendo um inimigo externo. Agora começa a lançar cidadão contra cidadão. Falta apenas o passo do “inimigo interno ou infiltrado”. Que, acredito, esteja próximo.

    Nos EUA, os controles institucionais são mais fortes. Contudo, o desejo do poder e a sede pelo poder ilimitado é inerente ao ser humano. E qualquer nação está sujeita a um “senhor” como esse.

    É como diz aquele velho poema que não me lembro por quem foi escrito e que é, mais ou menos, assim:

    Ontem invadiram nossa casa…
    e não falamos nada.
    Hoje pisam em nosso jardim…
    e não falamos nada.
    Depois matam nosso cachorro e, ainda sim,
    não falamos nada.
    Por fim, invadem nossa casa, pisam nosso jardim, matam nosso cachorro e nos matam.
    e aí, já não podemos dizer mais nada.

    A ditadura e a truculência podem surgir em todo o lugar. O mau é inerente e faz parte do ser humano. Cabe ao povo ser o guardião e o guerreiro que deve lutar por sua liberdade e por seus direitos. Quando esse mesmo guerreiro e guardião compactua com esse mal; estamos perdidos.

    Essa é a questão.

    Um abraço.

    Arthurius Maximus

  5. Gustavo Fadiga Says:
    A Opinião pública nos EUA é infinitamente mais forte que no brasil, venezuela…acho que na américa do sul opinião publica forte só os nossos “Hermanos” tem… Cultivamos um anti-americanismo aqui no Brasil, nosso presidente cultiva isso, faz a analogia davi x golias…e não é só Brasil x EUA que entra nessa anlogia, pode tentar lembrar os dircursos e encaixe os seguintes temas:
    Brasil x EUA
    Empresas Estatais x Empresas Privadas
    Pobres x Ricos
    E o nacionalismo adora isso…
  6. tarcisio martins Says:
    Se alguem o critica por falar mal de Chaves, lembre “as pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos” de acordo com Mario de Andrade. “Hitler e Mussolini souberam como falar com o povo, onde sempre prevalece o cerebro emocional por cima do neocortical, o intelectual, conduzindo emoçôes, não razoes” (rita levi motalcini). Pior é que essa praga de populismo tupiniquim está se reproduzindo em toda América do Sul, com séreio comprometimento da democracia. Aqui começaram com o desarmamento da população, depois tentaram amordaçar a imprensa via lei, como não puderam estão comprando. A corte nega tudo o que faz de errado, todos os que denunciam são mentirosos, inimigos. Tudo o que é ilegal passa a ser legitimo. E ai candidamente o governo vem dizer que combate a pirataria, o desmatamento, e ambos são protegidos por membro do oficialato.
  7. Dalmir Says:
    Muito embora eu seja anti-americano por vários motivos, nem por isso sou chavista ou defensor desse movimento dito “social” tupiniquim.

    Assisti a entrevista do João Stédile (Líder maior do MST) e fiquei abismado com a visão daquele homem, citando o Neo Liberalismo com um mal a ser debelado, e todos nós temos de aceitar o socialismo pois esse sim é o modelo correto, segundo o MST.

    Enquanto nossos líderes socialistas estavam na oposição, nada fizeram nada para contribuir com os governos anteriores, hoje reclamam da oposição, que a meu ver também não é lá essas coisas, mas vivem incomodando o governo, o que leva o governo a ter pensamentos mais autoritários.

    O texto aqui postado nesse blog deve ser avaliado à luz da realidade brasileira, pois o que acontece abertamente na Venezuela, vêm acontecendo sorrateiramente no Brasil.

    Infelizmente no Brasil ainda se acredita que democracia é quando um socialista ganha.

  8. Frederico feroli Says:
    Seguinte o cara eh um lunatico, hegocentrico e com mania de ser Deus, ele ta seguindo todos os passos de um lider estadista que vai morrer cedo cedo, particulamente eu odeio o cara e tudo que ele faz ou falsamente representa , agora uma coisa eu tenho que dizer o cara eh macho, desculpe o termo mas o cara tem “culhoes” ao contrario da merda do nosso presidente, incidente internacional o cacete o Brasil jah era pra ter invadido aquilo lah a muito tempo, na primeira semana que ele comentou que iria colocar os brasileiros e a petrobras pra fora do pais dele, o babaca do Lula teria que ter mandado logo 4 batalhoes de paraqueditas e uns 50 soldados da BFE que com uns 500 soldados 4 jatos e uns 5 urutus a gente tomava tudo pro Brazil e ele ia ficar na merda ( coisa que qualquer outro pais do primeiro mundo teria feito.
    Agora convenhamos quem ta na razao, um louco que se acha deus ou um viado que se rebaixa a tudo que o louco diz.
  9. Glauco Says:
    Que Hugo Chávez peca pelo excesso de personalismo é fato. Daí a chamá-lo de “ditador” vai uma grande distância. Se não, que “ditador” se expõe a tantos escrutínios populares?

    Vejamos. Ele passou por uma eleição presidencial de 6 de dezembro de 1998; depois, por um referendo para a formação de uma Assembléia Constituinte, em 25 de abril de 1999; convocou eleições para a Assembléia Constituinte, em 25 de julho de 1999; passou por um referendo para ratificar a nova Constituição, em 15 de dezembro de 1999. Promoveu “mega-eleições” de todos os representantes (com exceção dos locais), inclusive o presidente, em 30 de julho de 2000.

    Tem mais: foram realizadas eleições locais em dezembro de 2000; se submeteu a um referendo revocatório contra si, em 15 de agosto de 2004 (que ditador faz isso?); foram promovidas eleições regionais em outubro de 2004 mais eleições locais em agosto de 2005; aconteceram eleições legislativas em 4 de dezembro de 2005. Ah sim, se submeteu à eleição presidencial em 3 de dezembro de 2006 e perdeu um referendo sobre reforma constitucional em dezembro de 2007.

    Os contrários sempre dirão que “o povo foi manipulado”. Engraçado que, para esses “democratas”, o conceito de democracia é aceitar o resultado quando seu lado ganha. Quando perde, é porque o povo é ignorante, manipulado etc.

    Falar em “instituições democráticas” na Venezuela é desconhecer a história do país. Tais instituições só serão construídas pela participação do povo, que aprendeu que pode interferir e inclusive contestar Chávez como ocorreu no plebiscito de 2007. Antes, tais instituições só existiam formalmente, mas não de fato, dada a parca experiência de participação popular.

    Assim, pode-se inferir, estudando um pouco a história do país, que a democracia lá é muito mais avançada do que era há dez anos. É só comparar.

  10. Arthurius Maximus Says:
    Olá Glauco!

    Entendo quando você faz essa demonstração das eleições pelas quais Chávez passou. Mas se analisarmos em relação a outras “eleições” que vimos na história recente veremos que nem sempre uma eleição reflete a vontade do povo.

    Podemos citar as eleições iraquianas, as eleições iranianas e mesmo, num dos exemplos que citei (Hitler) seu mandato foi aplaudido pelo povo através de diversos escrutínios. Como eu disse no artigo, o fato de submeter-se a eleições e ao voto popular, não qualifica ninguém como democrata. Suas ações sim.

    Defender um governo que exige que seus cidadãos e suas instituições (como a suprema corte e demais órgãos do judiciário) cooptem-se com os serviços de inteligência e de polícia secreta; transformando todos os que discordarem ou se propuserem a fiscalizar a atuação desses serviços como inimigos do estado é o que? Uma ode a democracia?

    Sinto, porém Chávez teima em propor ações e a praticar atos que o qualificam sim (em minha opinião) como ditador. Basta que alguém vá contra seus ensinamentos que passa automaticamente a ser considerado um “agente do imperialismo americano”.

    Obrigado por seu comentário e seja sempre bem-vindo.

    Um abraço e bom fim de semana.

    Arthurius Maximus

  11. valmir Says:
    Perfeita sua colocação, também não considero Chaves um ditador, o que ele faz é tudos as claras, doa a quem doer, ele enfrenta os desafios que aparecem, ao contrário dos nossos governantes, que na maioria das vezes, fazem tudo as escondidas, na surdina(negociatas), e quando o fato aparece, se colocam no alto de seus pedestais e se dizem perseguidos politicamente(coitadinhos).
    Infelismente, não considero o Brasil uma democracia plena, e sim uma democracia para poucos, pois para grande maioria de nossa população, democracia ainda é um sonho distante, que só conseguiremos através do voto consciente, o que dificilmente acontecerá tão cedo, pois um povo que não tem acesso a uma boa escola é um povo facilmente manipulável pela maioria nefasta de nossos políticos.
    abraços a todos
    valmir
  12. valmir Says:
    Obs msg. de Valmir p/Glauco

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