Após ataques, Israel volta a cercar Arafat em Ramallah
08h25 - 20/09/2002
Por Wafa Amr
RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - Israel voltou a cercar o líder palestino Yasser Arafat em sua sede de governo, em Ramallah, e mandou tanques para a Faixa de Gaza, depois que um atentado suicida matou cinco pessoas em Tel Aviv.
O grupo religioso Hamas assumiu a autoria do atentado de quinta-feira, como vingança pelo assassinato de um de seus líderes e de outros 15 civis em um bombardeio aéreo de Israel sobre Gaza, em julho.
O atentado de quinta-feira em Tel Aviv aconteceu pouco depois de uma explosão matar um policial no norte de Israel, encerrando assim uma trégua de seis semanas nos atentados suicidas.
Israel disse que invadiu o edifício de Arafat na noite de quinta-feira para obrigá-lo a entregar 20 militantes que se refugiam ali. Alguns palestinos de fato se renderam, mas uma fonte militar israelense disse que não foram todos os procurados. O Exército destruiu mais de dez estruturas do complexo presidencial de Ramallah.
Funcionários do governo palestino disseram que os soldados israelenses entraram disparando armas automáticas na sede de governo, mas que Arafat está ileso. Um de seus guarda-costas teria sido morto por um franco atirador israelense durante a madrugada. Seis cidades da Cisjordânia estão sob toque de recolher -- todas, menos Belém e Hebron. As ruas da Ramallah estão vazias.
A Autoridade Palestina condenou o atentado de Tel Aviv, que deixou também 50 feridos, e pediu à comunidade internacional que pressione Israel a se retirar de Ramallah. Mesmo alguns comentaristas israelenses criticaram a invasão do prédio de Arafat, por considerar que hoje ele não tem poder para evitar ataques dos militantes.
Na Faixa de Gaza, dezenas de tanques e helicópteros penetraram quatro quilômetros em território palestino, a maior incursão em dois anos de conflito, e destruíram oito supostas fábricas de armas e explosivos dos palestinos.
Médicos palestinos disseram que um homem e uma mulher morreram. Segundo o Exército, três soldados ficaram feridos no tiroteio contra os militantes.
Os incidentes de quinta-feira elevaram a tensão no Oriente Médio a seu pior nível em vários meses. Desde setembro de 2000, quando começou a atual intifada (rebelião), já são 1.548 palestinos e 594 israelenses mortos.
Reunido na quinta-feira, o gabinete israelense decidiu não enviar Arafat para o exílio, uma manobra que iria aumentar a ira dos países árabes. Mas os palestinos disseram que ainda temem essa ordem. "O plano do [primeiro-ministro Ariel] Sharon é destruir a Autoridade Palestina e acabar com Arafat", disse o negociador palestino Saeb Erekat.