
Em dezembro de 2008, fui apresentado, pela Revista Piauí - www.revistapiaui.com.br, ao blog Generacyon Y, da filóloga e web marter cubana Yoani Sánchez, 32 anos. Devo dizer ter sido esse encontro a coisa que mais me estimulou a enveredar nesses caminhos da web, resgatando, inclusive, o hábito de escrever, há muito adormecido. Afinal, não é todo dia que um blogueiro fisga 8 ou 10 milhões de acessos, como Yoani, colocando-a entre as 100 personalidades mais influentes do mundo contemporâneo, conforme a revista Time. Através de seus posts,Yoani desnuda uma realidade que, para muitos, mesmo alguns apaixonados pela história cubana, não podem vislumbrar, por mais que se esforcem. Até aqueles que puderam pisar em solo cubano, conforme nos diz Yoani, estão sujeitos ao engodo, falsa impressão e a apreensão de uma realidade desconectada dos fatos e da vida cotidiana de Cuba. Pra mim e, espero, para todos que venham acessar seu blog, fica o exemplo de conteúdo, de cuidado visual, repeito e amor pelas ideias colocadas. Fica difícil definir se estamos diante de uma crônica, um romance ou um poema. Vale à pena conferir. Mas, o que chamo atenção aqui, é para um desses movimentos subterrâneos da política de alguns países. Pra quem não sabe, em Cuba, a Internet não está disponível para todos. Algo parecido com nossas lan houses estão em alguns departamentos governamentais, cujo acesso - para poucos -, depende de algum jeitinho. Mesmo os turistas, só dispõem desses lugares pagando preços proibitivos que chegam a onze dólares por meia hora. Ocorre que, seja pela repercussão do Generacyon Y, seja por outros, o governo cubano está , digamos, fechando o cerco sobre a comunidade online naquele país. Uma pena, pois, se todo blogueiro tivesse o conteúdo e o compromisso sócio-político dessa jovem cubana, a leveza e a beleza com que pinta seus textos, nossos olhos não cansariam tanto ao navegar. Não sei se conseguirão fazê-la calar, mas, em tempos de rompantes bolivarianos, não custa nada conhecer a coisa antes que possam fazê-la sumir...