icon_rofl.gif Se, desde o período Triássico, há milhões de anos, as tartarugas pouco mudaram sua morfologia, não se pode dizer o mesmo quanto às relações do homem com esses animais. Hum por mil (1/1000), ou seja, a cada mil nascimentos, em média, apenas 01(um) indivíduo sobrevive nos primeiros dias... Incrível. A natureza responde por parte desse processo, mas algo tem mudado. O meio ambiente não é mais o mesmo:Roubo de Ninhos – É verdade. Algumas pessoas roubam os ninhos e até matam os animais para alimentar-se. Isso é proibido por lei.Lixo Humano – Despejados nas embarcações, nos manguezais ou na orla marinha, inclusive cascas de frutas, coco e outras matérias orgânicas, chegam à praia e influem na reprodução de animais nocivos aos ninhos, como os ratos. Os inorgânicos, então, nem se fala. Sacos plásticos, copos e outros, ao serem ingeridos, matam por asfixia ou interrompem o fluxo intestinal dos animais.Ser Humano – A simples presença e o barulho de curiosos próximo ao local e no momento da desova, pode provocar a interrupção do ato, levando a mãe a desovar na água, interrompendo o processo natural de reprodução. Observar esses animais requer educação e orientação específicas. Quando embarcado, em grandes navios ou barcos pesqueiros, o homem atinge alguns indivíduos com suas hélices, justo quando eles vêem à tona para respirar...Luz do Flash – Normalmente, o nascimento dos ovos ocorre à noite ou pela madrugada. O ato de fotografar com flash provocam desorientação dos filhotes que, por isso, não voltam para o mar.Pesca Predatória: Espinhéis para peixe, com milhares de anzóis de aço capturam vários desses animais em alto mar. Alguns são devolvidos à água com o anzol preso à boca. Uso de redes de vários tipos, maltratam e matam indivíduos.Bem, ao perguntar a Rita do que ela sentia falta para levar adiante o projeto, ela deu um largo sorriso e disse: TUDO ! Apenas tudo: espaço, recursos financeiros regulares e meios de informação. “Roberto, poderíamos montar uma escola mais adequada, onde teríamos museu, biblioteca e uma área para recepções, palestras, filmes” – disse. Nesse instante, chegava um grupo de turistas acolhido pelas companheiras de projeto.É um trabalho ininterrupto, noite e dia, que monitora, medica, estuda e orienta no que é preciso para que as coisas mudem. E têm mudado. Segundo Rita, em 06 anos reduziu-se quase a zero o roubo de ninhos e tráfego de veículos na praia, como também, houve avanços no nível de educação ambiental de todos, principalmente, relacionado ao lixo humano nas praias. E isso custa dinheiro. Há inúmeros exemplos de pessoas ou empresas que se engajam no projeto. A Energisa (companhia de eletricidade local), mantém uma verba mensal. A Montel Piscinas, doou os tanques de fibra para acondicionamento de animais. A Art Fest, doou uma tenda onde estão os tanques. A Luck Turismo, que transporta turistas e estudantes para assistirem palestras e conhecerem o projeto. Entre outros tantos. No projeto tem um programa chamado ADOTE UM NINHO – Tartaruga Marinha. Qualquer pessoa, grupo de pessoas ou empresa acessa o site e deposita na conta do projeto R$ 100,00. Ao nascerem os filhotes, as fotos são remetidas ao colaborador. Sinceramente, dá pra muita gente ajudar!Aqui no litoral paraibano encontramos em maior número as seguintes variedades de tartarugas marinhas:Tartaruga de Pente – A mais bonita, muito colorida em marrom, amarelo e vermelho. Por isso, muito capturada para produção de pentes e armações de óculos.Tartaruga Verde – Predomina tons de verde. É mais encontrada na linha de corais, onde busca alimentação, porém desova em  ilhas oceânicas.Tartaruga Oliva – Menor e mais delicada e menos encontrada para desova e alimenta-se nos corais.Bem, tive o privilégio de mergulhar ao lado desses animais em vários momentos. Não dá para descrever o prazer diante da leveza, da beleza e graciosidade das tartarugas marinhas. Penso que, diante de tamanha ameaça de extinção, sua natureza decidiu que, logo ao nascer, corram para casa, para junto dos seus, para o mar, até que se possa saber, ao certo, o que pretendem fazer de suas vidas os ditos seres humanos... Não sei qual dos três tipos descritos acima abocanhou a nádega do nosso mergulhador – personagem do início do post anterior. Mas, tomara que tenha sido uma das grandes, como se desse uma palmadinha na criança peralta, que ainda não sabe bem o que faz, ou, que teima em fazer de conta que não sabe... Não fique com raiva, amigo mergulhador. Ela, certamente, não fez por mal...