
Houve um tempo de muitas alegrias e encantamentos com as novidades do mundo e da vida que ia se abrindo. Brinquei muito e, dentre as brincadeiras, poucas tinham a magia das bolhinhas de sabão. Sopro aqui, sopro ali e, como numa mágica sutil, a água colorida do copo transformava-se em bolhinhas transparentes, que voavam e explodiam enquanto eu corria atrás delas...Que diferença! Hoje, quando não são as asneiras dos nossos políticos bolhas, que nem cor teem e parecem cheirar mal, flutuam outras tantas bolhas, surgidas dos subterrâneos da maldade humana. Ao longo do tempo recente, algumas bolhas ganharam notoriedade e garantiram lugar na história. Querem ver? Comecemos pelas bombas sobre Hiroshima e Nagasaki(1945), marcando o fim da bolha insana das Grandes Guerras Mundiais e do início da bolha da Guerra Fria, que veio estourar em 1989 com a Queda do Muro de Berlin. Vimos explodirem as primeiras bolhas da Internet - 2000/2001 -, mostrando as primeiras unhas do neoliberalismo econômico, outras que não chegaram a explodir como deviam, como, a Revolução Cultural da China, entre 1966 e 1976 – que de cultural, da forma que estamos acostumados a entender o termo, não teve e nem tem nada -, e a Guerra Santa entre palestinos e israelenses que parece não explodir nunca, de forma a inaugurar um novo ciclo de paz e compreensão tão necessário à humanidade. Perto de nós, já soprando bolhas da “globolização” e da glabalização, estouraram algumas outras: a do fim do militarismo e do advento das eleições diretas que tiraram a política brasileira de uma era feudal e a encravaram numa prática apenas colonial, entre os anos 80 e 90, também do século XX. A partir dali, brincamos com várias bolhinhas como as dos tantos pacotes econômicos, a do pseudo-impeachement de Collor, em 1992, a do quase apagão de energia na era FHC, a da falsa ética do petismo - a partir de 2002 -, quase ao mesmo tempo da explosão da bolha que estarreceu o mundo e a soberba norte-americana: o Ataque ao World Trade Center, em NY, naquele terrível 11 de setembro de 2001. E essa, digamos, garotada, continuou a soprar bolhinhas ao vento, pensando se tratar apenas de sabão, mas que, quando menos esperavam, já haviam comprometido a saúde e o equilíbrio climático de nosso planeta, ao criarem a terrível bolha do efeito estufa. “Qual o quê! - pensaram... Isso é um problema dos emergentes! -, dos periférico gramiscianos, da ONU, OEA, G6, 8, 20, do BRIC, de Chaves, do Iram, da Coreia do Norte. "Cuidado apenas com a China!", iludiram-se... "Viva as mil e uma noites de Bagdá!"..., e viva Bush, sua ascensão e queda! Obama? A bolha está no ar, merecidamente negra e capaz de fazer uma diferença, digamos, para o bem - espero... Splash! Foi-se o Lehman Brothers - verdadeira fábrica de bolhas virtuais à custa do trabalho e do suor das nações menos favorecidas que, junto aos seus párceres (pariceiros, aqui no Nordeste), viram a casa cair e ficaram contando estrelas ao invés de bolhinhas de sabão. Bem feito! Aqui, o neoliberalismo econômico mostra todas as unhas, inclusive, as dos pés... Bolhinha de sabão(bolinha de sabão) - maravilhosa figura de linguagem -, essa brincadeira inocente que nem barulho faz, não suja, não machuca... Será? Melhor reconhecer que só nas mãos de inocentes e pequeninas crianças as bolhas são como a barriga da mamãe que gesta o irmãozinho, os olhos brilhantes e cheios de afetividade de pai e mãe acalentando seu sono, do colorido halo de vida sã e amena soprada aos ouvidos daqueles responsáveis pelos nossos destinos... A verdade pode ser outra...Temos no ar, pairando, algumas bolhas sopradas com tal violência que mal podemos tocá-las, temerosos que explodam antes do tempo, pelo toque errado da pessoa errada: Etanol, Biodíesel, Pré-sal... Poderão transformar-se em verdadeiros e vermelhos coágulos de intransigência e desperdício ou, como de praxe, favorecimento de poucos. Cuidado, garotos! Por outro lado, uma bolha é enorme, necessitando do sopro infantil e generoso de jovens corações. Do preparo e da mistura ideais, de desvencilhar-se das amarras do corporativismo paquiderme que idiotiza nossas relações políticossociais: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Essa é A BOLHA! - melhor que qualquer "CARA!" É preciso jogar certo, brincar de ética e de ter vergonha na CARA, mexer bem a alquimia e, num sopro infanto-juvenil, transformar água turva em coloridas e mágicas bolhas de felicidade que conduzem nosso olhar para cima. Ou sopramos belas e mágicas bolhas pela EDUCAÇÃO, ou, poderemos ter que, literalmente, entornar o caldo... Também, se deixarmos ao bel prazer e ao tempo da vontade alheia - mania histórica -, e mesmo, sob os auspícios de certos interesses espúrios da nossa politicagem, teremos apenas bolhinhas invisíveis ou que estouram antes mesmo de cumprirem seu ciclo... Não tem a menor graça!
Lembro como se fosse uma pintura diante de mim, com todas as cores e cheiros, enquanto no colo de meu pai, logo cedo, na varanda da nossa casa, ele me ensinando a soprar bolhinhas de sabão...